OPINIÃO: O teatro das ilusões — Lula inaugura pedra enquanto o sertão morre de sede

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Por General Girão — Deputado Federal (PL-RN)

O cinismo político parece não conhecer limites na atual gestão federal. Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca no Rio Grande do Norte para protagonizar mais uma cena de pura encenação e marketing político, que é a inauguração do túnel Major Sales. O detalhe que o governo tenta omitir é que estão inaugurando uma estrutura de concreto e pedra completamente seca. Diante disso, o sertanejo se pergunta onde está a água do Rio São Francisco que Jair Bolsonaro e Rogério Marinho trouxeram para o nosso estado em 2022.

O túnel em questão é apenas uma fração de 6,35 km dentro dos 115,5 km de extensão do Ramal do Apodi. Trata-se de uma obra de suma importância para abastecer 54 municípios e mais de 1,7 milhão de pessoas, mas que está longe de ser concluída. O que se verá no Rio Grande do Norte é um palanque montado às pressas e sustentado por intervenções improvisadas, como a absurda substituição de passagens molhadas por contêineres temporários, apenas para que o atual presidente possa assinar a autoria de um projeto que não é seu.

A verdade histórica e factual é clara, pois quem começou o Ramal do Apodi foi o governo Bolsonaro, sob a liderança do então ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. O atual governo agora tenta faturar politicamente em cima do suor e do planejamento alheios, concluindo o trecho sem fazer qualquer menção a quem de fato iniciou o projeto. É claro que ele não fará essa menção, pois seria esperar honestidade intelectual demais de quem vive de mentiras. Os motivos desse silêncio covarde todos nós já conhecemos, afinal, a verdade destrói a narrativa do “pai do Nordeste”. Pior do que esconder o passado para inflar o ego é sabotar o presente, já que o governo corta a fita inaugural, mas não deixa a água correr.

Esse cretinismo com o povo do semiárido ganha contornos ainda mais dramáticos quando olhamos para o retrocesso dos últimos anos. A água do Velho Chico, que já corria com força e trazia esperança ao desaguar no Rio Piranhas, deixou de chegar às torneiras e às plantações. Desde 2023, por ordens diretas do Lulanóquio, as bombas foram desligadas e o fluxo foi interrompido, castigando o produtor e o morador do sertão que haviam conhecido a dignidade da segurança hídrica.

O reflexo dessa crueldade administrativa é sentido na pele pela população de municípios como Luís Gomes e tantas outras cidades da região, onde a torneira seca voltou a ser o padrão e o povo padece diariamente com as agruras da seca recorrente. Não podemos aceitar, sob hipótese alguma, que o carro-pipa volte a ser a única realidade do sertanejo, deixando famílias inteiras à mercê e na total dependência da velha política dos caminhões de água.

Inaugurar parede de túnel seco enquanto se desliga o bombeamento que saciava a sede do povo é o resumo perfeito desse desgoverno. Prioriza-se a narrativa, o aplauso da militância e a foto oficial, enquanto a realidade do sertanejo é negligenciada.

Essa postura nos faz lembrar das palavras do profeta Jeremias, no capítulo 2, versículo 13, que diz: “Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”. Da mesma forma, o governo atual abandona as fontes reais de progresso que deixamos prontas para cavar promessas quebradas e palanques vazios, que não retêm dignidade alguma para o povo.

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