Por General Girão – Deputado Federal (PL-RN)
Durante anos, servi na Amazônia e acompanhei de perto os desafios impostos pelas dimensões territoriais, pelas extensas fronteiras e pela presença insuficiente do Estado em áreas estratégicas. Por isso, recebo com grande preocupação — mas não com surpresa — os dados apresentados pelo Instituto Igarapé sobre o avanço do crime organizado na região.
O estudo aponta a presença de mais de 30 organizações criminosas armadas na Bacia Amazônica, abrangendo áreas do Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Bolívia e Equador. Estimativas citadas no levantamento indicam que mais de dois terços dos municípios amazônicos analisados registram a atuação de pelo menos um grupo criminoso.
A visão da Amazônia como mera rota de passagem do narcotráfico está morta. Hoje, o crime organizado é uma estrutura econômica, territorial e política transnacional. Máfias como o PCC e o Comando Vermelho já rasgaram as nossas fronteiras para operar na Colômbia, Peru, Venezuela, Bolívia e Equador. Elas controlam rotas fluviais, dominam o garimpo ilegal, a extração de madeira, o tráfico de armas e de minerais estratégicos. Onde o governo falha, bandidos decidem quem trabalha, quem transita e quem vive.
Enquanto a criminalidade se moderniza, diversifica receitas e amplia seu império de terror, o governo Lula assiste a tudo em um estado de paralisia política covarde.
Nossos policiais federais, civis, militares e as Forças Armadas dão o sangue diariamente em operações heroicas, muitas vezes sem estrutura ou efetivo. O problema não está na ponta; está na completa ausência de uma direção política firme e de uma estratégia nacional à altura da ameaça. O Palácio do Planalto está sempre um passo atrás dos bandidos.
Em maio, os Estados Unidos apontaram o caminho correto ao classificar o PCC e o Comando Vermelho pelo nome que merecem: organizações terroristas. Essa chancela permitiu o sufocamento financeiro global e o confisco de bens dessas máfias. Defendo essa postura veementemente. Facções que executam agentes públicos, dominam presídios e aterrorizam a população não são criminosos comuns. São narcoterroristas.
A reação do governo brasileiro a essa medida internacional, contudo, foi vergonhosa. Em vez de liderar o cerco financeiro aos criminosos, Lula preferiu criar uma cortina de fumaça ideológica, chorando uma suposta “interferência estrangeira”.
Soberania não é fazer vista grossa para facções nacionais lavando dinheiro e traficando fuzis pelo planeta sob o pretexto de rejeitar o apoio de outros países. Soberania de verdade é garantir que a lei da nossa Constituição — e não a lei do tráfico — prevaleça dentro do território nacional.
Essa hesitação cúmplice tem raízes históricas profundas. Não podemos esquecer que o Partido dos Trabalhadores é o fundador e motor do Foro de São Paulo, cultivando há décadas uma proximidade íntima com o chavismo e o bolivarianismo sul-americano. Essa tara ideológica cega o atual governo, que demonstra muito mais apetite para blindar aliados políticos autoritários do que para combater as redes criminosas transnacionais que engolem as nossas fronteiras frágeis.
Essa inércia política do governo federal não é apenas incompetência: beira a irresponsabilidade criminosa. Cada dia de omissão de Brasília dá mais dinheiro, mais fuzis e mais terras ao crime organizado.
O Brasil precisa atualizar sua legislação e carimbar o caráter narcoterrorista dessas organizações agora. É urgente integrar inteligência, fechar as fronteiras e asfixiar o fluxo financeiro das facções. Não basta prender o soldado do tráfico que empunha a arma na ponta. É preciso alcançar os tubarões: os operadores financeiros, as empresas de fachada, os agentes públicos corruptos e os grandes financiadores que transformam o sangue dos brasileiros em lucro milionário.
A Amazônia não pertence ao narcotráfico, ao garimpo criminoso ou às organizações armadas. Defender a floresta é defender as nossas fronteiras, o nosso povo e a soberania do Brasil. Como bem ensina a epístola escrita pelo Apóstolo Paulo aos Romanos, a autoridade legítima não carrega a espada em vão; ela é ministra de Deus para fazer o bem e aplicar o castigo justo sobre aqueles que praticam o mal. O Estado tem o dever de agir.
O crime avança onde encontra espaço. E um governo que se recusa a enfrentar o inimigo com a força necessária não está protegendo a nação; está abandonando o nosso território, a nossa população e o nosso futuro.